
Dia Mundial do Livro
«Os livros continuam a ser a nossa companhia»
Por Marta Clarinha
Hoje comemora-se o Dia Mundial do Livro. As ruas de Lisboa têm antecipado este dia com a instalação de pequenas bancas de venda. Ao SOL o director da APEL, Rui Beja, garantiu que os livros «continuam a ser uma companhia»
Rua Garret, umas das grandes artérias da baixa lisboeta, tem sido palco das comemorações, antecipadas, do Dia Mundial do Livro.
Durante esta semana, enquanto se tomava uma bica no Café Nicola, ou enquanto se passeava pelas ruas da Baixa Pombalina podia-se visitar uma pequena feira do livro ao ar livre com exposições de várias editoras e pequenos livreiros que, com o apoio da Câmara de Lisboa, têm comemorado esta data.
Nos dias de hoje fala-se da crise que atinge todos os mercados, e claro que o dos livros não é excepção. No entanto, Rui Beja, presidente da direcção da APEL (Associação Portuguesa de Editores e livreiros) assegura que «os livros continuam a ser uma companhia».
«Podemos dizer que há de facto uma diminuição da procura mas ainda assim a venda de livros continua dentro da normalidade», justifica.
Mas a crise toca a todos e ao que parece até ‘escreve’ livros. Rui Beja, numa perspectiva de vendas, explica que a crise pode ter até um lado positivo, tudo depende do tipo de livros de que falamos: «Os livros de ficção científica distraem as pessoas, os de apoio psicológico ajudam-nas, e os de economia ensinam-nas nesta fase em que todos temos de saber um bocadinho de gestão. A venda de livros que, por exemplo, ajudam as pessoas a orientar as suas vidas, aos mais diversos níveis, tem, de facto, crescido».
Nuno Seabra Lopes, da Booktailors, fala-nos da era digital em que os livros, tal como os conhecemos hoje, também começam a tropeçar. «Não podemos pensar nas novas tecnologias como algo destrutivo». Seabra Lopes defende que passa tudo por uma questão de adaptação, e que é por esta mesma incapacidade das livrarias se ajustarem que vão ficando para trás, «e talvez até entrem mesmo em falência, como já tem acontecido».
«Neste mercado temos de pensar em primeiro lugar no nosso público, temos de manter o que já temos e tentar ir buscar novos», o que na opinião de Nuno Seabra Lopes só se consegue com a criação de coisas novas, e não tentando criar e seguir coisas que já existem. «Se nós formos pequeninos não podemos querer ser iguais aos grandes. Assim não chegamos a lado nenhum».
Feira do Livro
Este ano a Feira do Livro vai chegar mais cedo ao Parque Eduardo VII. A abertura é já no dia 30 de Abril, com 220 pavilhões renovados, animação cultural todos os dias, sessões de autógrafos como já é habitual e uma pequena feira do livro infantil. Tudo no sítio do costume.
marta.clarinha@sol.pt